Canadá está comprando mais produtos brasileiros. Sua empresa está preparada para aproveitar essa oportunidade?

As exportações brasileiras para o Canadá atingiram US$ 5,69 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, um recorde histórico para o período.
O crescimento de 12,1% em relação ao mesmo intervalo de 2025 reforça a importância de avaliar novos mercados para os produtos brasileiros. Para pequenas e médias empresas (PMEs), a questão é como transformar esse cenário em oportunidades comerciais concretas.
Diversificar os destinos de exportação pode reduzir a dependência de um único mercado e abrir caminhos para o crescimento. Mas aproveitar uma oportunidade internacional exige mais do que identificar um país que está comprando mais: é preciso entender a demanda, avaliar a competitividade do produto e estruturar uma operação comercial viável.
Neste artigo, você vai entender o que os números do comércio entre Brasil e Canadá revelam e quais passos sua empresa deve considerar antes de iniciar ou ampliar suas exportações.
Exportações brasileiras para o Canadá batem recorde em 2026
Segundo levantamento Quick Trade Facts (QTF), da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), as exportações brasileiras para o Canadá somaram US$ 5,69 bilhões nos nove primeiros meses de 2026. O resultado superou em US$ 614 milhões o recorde anterior, registrado no mesmo período de 2025.
No mesmo intervalo, a corrente de comércio bilateral — soma das exportações e importações dos dois países — alcançou US$ 8,41 bilhões, crescimento de 13% em relação ao ano anterior.
Os principais números do período mostram a dimensão dessa relação comercial:
US$ 5,69 bilhões: exportações brasileiras para o Canadá, com crescimento de 12,1%.
US$ 2,72 bilhões: importações brasileiras de produtos canadenses, alta de 14,9%.
US$ 8,41 bilhões: corrente de comércio entre os dois países, avanço de 13%.
Os dados indicam uma relação comercial em expansão. Entretanto, o resultado agregado precisa ser analisado com atenção para identificar quais setores e produtos oferecem perspectivas mais interessantes para cada empresa.
Quais produtos brasileiros estão encontrando espaço no Canadá?
O crescimento das exportações brasileiras não ocorreu de maneira uniforme. Alguns produtos tiveram desempenho expressivo, enquanto outros registraram retração.
O ouro bruto permaneceu como principal item da pauta exportadora brasileira para o Canadá, somando US$ 3,06 bilhões até setembro de 2026. O valor representou 53,8% das exportações brasileiras para o país.
Além desse produto, outros segmentos apresentaram resultados relevantes.
Carne bovina: crescimento expressivo nas vendas
As exportações brasileiras de carne bovina desossada e congelada para o Canadá alcançaram US$ 76,5 milhões no período, crescimento de 828% em relação aos nove primeiros meses de 2025.
O resultado demonstra a importância de acompanhar mudanças na demanda internacional e avaliar mercados que possam complementar os destinos tradicionais das empresas brasileiras.
É importante, porém, não interpretar esse crescimento como garantia de acesso para qualquer exportador de carne. A habilitação dos estabelecimentos, os requisitos sanitários, as condições comerciais e a concorrência precisam ser analisados individualmente.
Máquinas e equipamentos: oportunidades além das commodities
As máquinas carregadoras também tiveram desempenho positivo, com crescimento de 80% nas exportações, que chegaram a US$ 55,8 milhões.
O levantamento apontou ainda avanços nas vendas de querosene de aviação e de determinados equipamentos industriais.
Esses resultados ajudam a demonstrar que o comércio bilateral não se limita aos produtos agrícolas ou às commodities. Dependendo das características do produto, do posicionamento comercial e da demanda identificada, empresas de outros segmentos também podem investigar oportunidades no mercado canadense.
O ponto central é que cada produto exige uma análise própria. O crescimento das exportações de uma categoria não significa necessariamente que exista demanda equivalente para outros itens do mesmo setor.
O que essa oportunidade significa para as pequenas e médias empresas?
Para uma PME brasileira, avaliar o Canadá pode fazer parte de uma estratégia de diversificação de mercados. Em vez de depender exclusivamente de clientes nacionais ou de um único destino internacional, a empresa pode investigar novos compradores e ampliar suas possibilidades comerciais.
Essa avaliação deve começar com algumas perguntas:
Existe demanda canadense pelo meu produto?
Quem são os compradores e quais fornecedores já atendem esse mercado?
Meu preço é competitivo depois de incluir transporte, seguro, tarifas e demais custos da operação?
Quais exigências técnicas, sanitárias, regulatórias ou de rotulagem se aplicam ao produto?
Tenho capacidade produtiva, capital de giro e estrutura para atender pedidos internacionais?
Responder a essas questões ajuda a separar uma oportunidade aparente de uma possibilidade comercial efetivamente viável.
Também é importante considerar que a exportação envolve prazos de recebimento, exposição cambial, negociação contratual e responsabilidades logísticas. Esses fatores precisam entrar no planejamento desde o início, e não apenas depois que o comprador demonstra interesse.
Como preparar sua empresa para exportar para o Canadá?
Não existe uma fórmula única para começar a exportar. O caminho depende do produto, do estágio de maturidade da empresa e das exigências do mercado de destino. Ainda assim, algumas etapas são fundamentais para estruturar a decisão.
1. Avalie a demanda e a concorrência
O primeiro passo é investigar se existem compradores canadenses para o produto e compreender como ele é comercializado no país.
Essa pesquisa deve considerar importações da categoria, concorrentes, preços praticados, canais de distribuição e características dos potenciais clientes.
O objetivo não é apenas encontrar um país que importe determinado produto, mas identificar compradores com os quais a empresa brasileira possa competir de forma sustentável.
2. Verifique os requisitos para entrar no mercado
Cada categoria de produto pode estar sujeita a regras específicas. Dependendo do caso, será necessário verificar classificação fiscal, tarifas aplicáveis, documentação, normas técnicas, certificações, exigências sanitárias e regras de rotulagem.
Produtos alimentícios, por exemplo, podem estar sujeitos a requisitos de segurança e controles específicos. Máquinas e equipamentos podem demandar verificações técnicas e regulatórias próprias.
A análise deve ser feita com base no produto exato e nas condições de importação aplicáveis ao Canadá. Não é recomendável assumir que as exigências serão iguais às de outros destinos.
3. Calcule o custo completo da exportação
Um produto competitivo no Brasil pode perder atratividade quando os custos internacionais são incorporados ao preço final.
Por isso, é importante estimar despesas de preparação da mercadoria, transporte interno, documentação, desembaraço, frete internacional, seguro e demais custos pertinentes à operação.
Também é necessário definir as responsabilidades de vendedor e comprador, considerando o Incoterm negociado, as condições de pagamento e os riscos envolvidos.
Essa análise permite estabelecer um preço de exportação coerente com a margem desejada e com a realidade do mercado de destino.
4. Estruture a operação comercial e logística
Depois de validar a oportunidade, a empresa precisa definir como venderá, receberá e entregará o produto.
Isso inclui avaliar potenciais importadores e distribuidores, negociar condições comerciais, organizar documentos, coordenar os prestadores de serviço e acompanhar as etapas da operação.
Para empresas que ainda não possuem um departamento próprio de comércio exterior, essa estruturação pode representar um desafio significativo. A contratação de apoio especializado permite organizar as etapas e dar mais previsibilidade ao processo.
5. Planeje o crescimento de forma gradual
A entrada em um novo mercado deve considerar a capacidade real da empresa de atender pedidos, manter padrões de qualidade e cumprir prazos.
Sempre que possível, vale estruturar um plano de entrada com metas, critérios para seleção de compradores, projeções financeiras e indicadores de desempenho.
O objetivo é construir uma operação sustentável, com condições de evoluir conforme os resultados comerciais e a experiência adquirida.
Como uma trading pode ajudar sua empresa a aproveitar essa oportunidade?
Para pequenas e médias empresas, exportar pode exigir conhecimentos e recursos que nem sempre estão disponíveis internamente. Pesquisa de mercado, análise de custos, documentação, logística, negociação internacional e gestão de riscos precisam funcionar de forma integrada.
Uma trading com atuação consultiva pode apoiar a empresa nessas etapas, desde a avaliação inicial da oportunidade até a estruturação e coordenação da operação.
Na FB Trading, o trabalho de comércio exterior parte das necessidades específicas de cada negócio. Isso significa avaliar o produto, o mercado pretendido, as condições comerciais e os desafios operacionais antes de definir o caminho mais adequado.
O apoio pode envolver:
Avaliação de oportunidades: investigação inicial do mercado e das possibilidades para o produto.
Planejamento da operação: análise de custos, logística, requisitos e condições comerciais.
Coordenação do comércio exterior: apoio na organização das etapas e dos participantes envolvidos.
Gestão de riscos: identificação de pontos de atenção tributários, documentais, financeiros e operacionais.
A proposta é ajudar a empresa a tomar decisões mais bem fundamentadas e a estruturar sua atuação internacional de acordo com seus objetivos e sua capacidade operacional.

Conclusão: o próximo passo é avaliar o potencial do seu produto
O recorde das exportações brasileiras para o Canadá é um sinal relevante para empresas que desejam ampliar sua presença internacional. O crescimento de 12,1% nas vendas brasileiras até setembro de 2026 e os resultados de diferentes categorias de produtos justificam acompanhar esse mercado com atenção.
Mas os números gerais são apenas o ponto de partida. A oportunidade para cada empresa depende da demanda pelo produto, da concorrência, dos requisitos de entrada, dos custos envolvidos e da capacidade de atender compradores internacionais.




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